ECOTELHADOS – SEU PRÉDIO E SUA CASA TERÃO UMA COBERTURA VERDE NO FUTURO
Basta um olhar de cima para a maioria das grandes cidades brasileiras e constatar que a cor predominante é a cinza.
O que sem desmerecer a cor, é uma tonalidade triste e embute a falta da natureza, ou seja, predominantemente da cor verde. Mas isto está mudando. A implantação de telhados verdes, ou ecotelhados, ou ainda, jardins suspensos, em casas e prédios tem sido crescente no Brasil.
Mas, especificamente no Espírito Santo, o mercado ainda é inicial, de acordo com o engenheiro ambiental capixaba Gabriel Casagrande. Segundo o engenheiro agrônomo Edimar Binotti, o primeiro telhado verde do Brasil foi implantando em 1998 em Pedra Azul, no município de Domingos Martins, na região Serrana do Estado. Hoje, o rancho Fjordland, localizado na região, referência em trilhas e turismo ecológico e famoso pelas Cavalgadas Ecológicas, possui quase todas as suas instalações com o ecotelhado.
Não é só na região sudeste que os ecotelhados ganham espaço nas grandes metrópoles. Segundo uma reportagem do jornal “Diário do Comércio” de Julho de 2010, a empresa gaúcha “Ecotelhado” especializada em infraestrutura urbana verde (telhados, paredes, pavimentos e sistemas de drenagem) já elevou de 45 mil m2 em 2010 para mais de 60 mil m2 quadrados o número de telhados vivos (jardins suspensos) instalados em todo o país. Essa empresa tem filial em São Paulo, Rio de Janeiro, e pretende expandir suas lojas para outras cidades, além de já exportar seus produtos para o Chile, Uruguai e Argentina.
Essa empresa, com sete anos de mercado, desenvolveu e patenteou em 2009 os “produtos verdes”, incremento de 86% nos negócios, índice extremamente alto que traduz a demanda do mercado por esta inovação, afirma o engenheiro civil e diretor da empresa Paulo Renato Guimarães. Ele destaca que a criação de produtos para prover a indústria de construção civil agrega maior valor aos empreendimentos, com retorno em qualidade de vida e sustentabilidade não apenas para seus usuários, mas também para o ambiente. E este não se reduz a cobrir prédios e casas, pois também pode ser utilizado ou montado acima dos pontos de ônibus, nas marquises dos edifícios, e nas laterais de muros ou pilastras, e etc..
Além de embelezar as construções, os “telhados vivos” têm a função de diminuição de grandes variações internas. No verão é mais fresco e no inverno é mais quente. Porém, não esquenta, pois a grama, ao evaporar a água, diminui a temperatura. E uma das vantagens é que a manutenção funciona como a de um jardim normal. O maior benefício é a questão energética. A cobertura verde impermeabiliza o telhado e também traz conforto técnico porque, ao mesmo tempo em que cobre esta estrutura, impede o calor intenso durante e dia e mantém a temperatura agradável à noite.
O telhado é chamado “vivo” porque é verde. O sistema utilizado pode ser instalado de forma modular, alveolar e laminar sobre a cobertura do imóvel. O produto é composto de módulos especialmente desenvolvidos onde são plantadas as mudas e, ainda, membrana alveolar que acumula água para abastecer as raízes.
Conforme dizem especialistas, esse recurso consegue reduzir em até 30% o valor da conta de luz, e a longo prazo, compensa os gastos iniciais com o telhado verde, que não são tão baratos assim. Enquanto um revestimento de cerâmica sai em média por R$ 100,00 o metro quadrado, o telhado sustentável custa a partir de R$ 120,00; mas a tendência é que preço diminua e fique no mesmo patamar dos revestimentos mais em conta. O custo do produto para a empresa sai entre R$ 70,00 a R$ 120,00 o metro quadrado dependendo da construção.
Para o consumidor, certamente o investimento é positivo, pois o telhado verde garante menos 5 graus Celsius de temperatura no verão e mais 5 graus Celsius no inverno, o que diminui a necessidade de ar condicionado e aquecedor.
Outra vantagem é que o telhado verde gera benefícios acústicos, além de que, o sistema usado no ecotelhado faz a retenção da água da chuva que escoa gradativamente, sem sobrecarregar o sistema pluvial da cidade. Por ser verde, ou seja, vivo, com plantas, gramas etc., produz oxigênio. Imagine então, se a maioria dos prédios e casas das grandes cidades tivesse o ecotelhado, o ar urbano seria mais limpo!
São fatos, que em algumas cidades, as construtoras recebem incentivos fiscais para utilizar em seus projetos “soluções verdes” em empreendimentos. Que este incentivo se multiplique na maioria das grandes cidades!
Essa é uma tendência mundial que tem como referências países como Japão, EUA, Inglaterra e Alemanha, que já utilizam a cobertura verde ou ecotelhado para melhorar ou manter bons níveis de qualidade de vida para sua população. E estes países estão sempre em busca de sistemas ou projetos que economizem recursos e ofereçam mais conforto aos cidadãos das grandes metrópoles.
Vejam os benefícios das coberturas verdes ou ecotelhado:
- Contribui significativamente na pontuação de certificações como “Leadership in Energy and Environmental Design “(LEED), muito utilizado nos países Europeus e nos EUA.
- Economia no consuma de energia para o morador.
- Cria um ambiente mais belo, natural e harmônico nas cidades.
- Inclusão social, pois cria a oportunidade de convívio com a natureza em diferentes lugares.
- Aumento da biodiversidade.
- Redução da emissão de carbono, diminuindo a poluição atmosférica.
- Diminuição da temperatura micro e macro ambiente externo.
- Conforto técnico e acústico para ambientes internos e externos.
- Contribui para maior durabilidade dos prédios, pois diminui a amplitude térmica.
- Limpeza da água pluvial, contribuindo para redução da poluição.
- Redução da velocidade do escoamento da água de chuva na fonte (telhado).
Jaqueline Louize








