Uma verdade conveniente


Já dizia Renato Russo: “Quem tem mais do que precisa ter/Quase sempre se convence que não tem o bastante.”
Hoje, para que 1/5 da população mundial consuma vorazmente tudo o que está ao seu alcance (o que uma enorme massa ascendente também deseja), o mundo todo está pagando caro. Se todos consumíssemos feito americanos, precisaríamos de vários planetas para sustentar nossa demanda por recursos naturais. Como só temos este à nossa disposição, dá para ver que teremos que repensar totalmente nossa forma de viver. E teremos que fazê-lo planetariamente.
Estamos elevando a temperatura da Terra num ritmo alucinante para os padrões da História do nosso planeta. E a principal vítima somos nós mesmos. Li que os esquimós já estão ameaçados de extinção por conta do aquecimento global. Muita gente, quando fala de ecologia, pensa em salvar o planeta. Bem, os cientistas nos esclarecem: não é o planeta que está ameaçado, é a nossa espécie (entre inúmeras outras) que corre o risco de extinção ou de levar uma vida muito ruim num curto espaço de tempo.
Mas não podemos perder a oportunidade de enxergar uma luz no fim do túnel. Faz tempo que falta um motivo ou uma idéia que conduza o mundo na direção da solidariedade e da compaixão. Essa história de sermos guiados pelas leis cegas do mercado e da competição sempre me pareceu que não podia dar certo para sempre. Não deu. A urgência criada pelo aquecimento global pode ser o começo de um novo humanismo, de uma mudança significativa de valores. Não se trata mais de encontrar formas de manter o nosso estilo de vida, mas de mudar o estilo de vida.
Desacelerar, reduzir, reciclar e consumir menos é necessário e faz bem. Também podemos trocar de consumo. Em vez de consumir modelos novíssimos de coisas novas que a publicidade nos convenceu de que estão velhas, consumir conhecimento e cultura, que nos enriquecem sem poluir. Esse é o verdadeiro consumo consciente. O mundo do consumo desenfreado de bens cada vez mais descartáveis vai acabar porque é inviável para seis bilhões de seres humanos lidando com recursos cada vez mais escassos.
Desacelerar, reduzir, reciclar e consumir menos é necessário e faz bem. Também podemos trocar de consumo. Em vez de consumir modelos novíssimos de coisas novas que a publicidade nos convenceu de que estão velhas, consumir conhecimento e cultura, que nos enriquecem sem poluir. Esse é o verdadeiro consumo consciente. O mundo do consumo desenfreado de bens cada vez mais descartáveis vai acabar porque é inviável para seis bilhões de seres humanos lidando com recursos cada vez mais escassos.
Mais do que se encher de coisas sem sentido, precisamos encher a vida de sentido.
Sem 20 pares de sapato, sem um 4x4, sem desperdiçar luz e sem o desejo insaciável dá para viver muito bem e o planeta agradece. A História está nos forçando a construir um mundo mais interessante, mais humano e mais igualitário. Não dá para querer manter confortos e privilégios que vão acelerar o fim da aventura humana na Terra.
Desde a publicação dos relatórios sobre mudanças climáticas da ONU (IPCC), criou-se um opinião pública mundial que pressiona governos e empresas. Sempre que eu trato desse tema aparece muita gente com idéias e vontade de colaborar. Está ao nosso alcance buscar informação e fazer parte da solução.
A escolha é nossa e o bom é que cada vez mais a gente se dá conta disso.
A escolha é nossa e o bom é que cada vez mais a gente se dá conta disso.
(texto do músico Leoni - ex integrante das bandas Kid Abelha e Heróis da Resistência, hoje segue carreira solo)
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