
Tenho certeza que alguma vez na sua vida, você já considerou como sua dieta afeta sua saúde, porém nos dias atuais, será que você já pensou como sua alimentação diária afeta o meio ambiente? Se alimentar de comida orgânica é bom para seu corpo, e melhor ainda para o meio ambiente (mesmo que muitos ainda não possam pagá-la, sabemos que é muito mais salutar!). Para muitos, as indagações terminam aí.
Hoje existe um movimento que começa a engatinhar no Brasil, mas já está cada dia mais forte e se espalhando para todo o mundo, que é uma extensa e complexa conversa sobre comida, dieta e meio ambiente. Chegamos ao ponto que não dá mais para negar que nossas escolhas alimentares têm prejudicado não somente nossa saúde, porém principalmente, tem degradado o ecossistema.
O nosso solo, nossa água, nossa atmosfera, a fauna, a flora, os microorganismos, enfim, todos que dividem a casa, chamada de “planeta Terra”, têm sofrido com o crescimento desordenado e falta de planejamento sustentável. E enquanto grandes partes destas informações se situam num patamar de governança, de respeito às leis ambientais, e de mudanças em grandes estruturas, fica uma sensação deprimente e de impotência frente a todo esse processo. Aí mora o perigo de se acomodar e esperar que as respostas e soluções venham de “fora”. A nossa conversa começa aqui. Eu e você temos a capacidade de escolher que tipo de impacto iremos provocar no planeta que chamamos de lar.
Antes era dieta disso, dieta daquilo, dieta que cortava carboidratos, outra do tipo sanguíneo, e etc., hoje há uma necessidade de questionamento mais profundo e geral, sobre que tipo de dieta é ideal para minha saúde e para a mãe natureza. Com o crescimento ambientalista, novos movimentos de comida e dietas vêm surgindo para dar uma cara nova, e apresentar novas maneiras de encararmos a alimentação. Do movimento alimentar vegano, passando pela “raw food”, comida crua na tradução literal, ou melhor, “comida viva”, ao movimento de “slow food”, algo como “sentar, comer lentamente e saborear”, ou seu oposto “fast food”, até o ressurgimento da “comida da vovó” ou “confort food “ e, alcançando os “grupos de Agricultura apoiada pela comunidade”, que podem ser chamados de “hortas comunitárias” ou “hortas nos telhados urbanos”, todos tem a premissa de olhar longe, além do próprio umbigo e de se preocupar com as futuras gerações, e o que deixaremos para elas. Isto é generosidade e caridade, que também podemos chamar de “SUSTENTABILIDADE”.
Agora cabe a você fazer a escolha de que caminho irá seguir, onde seu poder e força interior podem fazer toda a diferença na mudança do simples ato de comer. Com todas as informações na mídia, e com algumas das muitas opções disponíveis, veja abaixo três passos que podem ajudá-lo a fazer uma mudança na sua vida a partir de sua dieta:
1 - Pesquise sobre os valores dos alimentos (nutricional e ambiental) e os custos destes (sazonalidade, compras em feiras orgânicas, supermercados, produtos importados, etc.).
2 - Faça uma lista do que realmente tem valor para você, na questão alimentar:
- Eu valorizo a saúde dos oceanos.
- Eu dou valor ao equilíbrio florestal.
- Eu priorizo o ecossistema global.
- Eu respeito e luto pelo direito de viver com plenitude e liberdade dos animais.
- Eu apoio o direito das culturas indígenas.
- Eu dou valor à minha saúde.
3 - Então olhe seus valores acima, e pense nos seus atos, e veja onde eles não combinam.
Será que você come peixes e crustáceos que estão fortemente ameaçados de extinção como peixe-boi, surubins, pacu, lambari, caranguejo, mariscos e outros? Você come palmito “Jussara”, e não se preocupa em saber que esta é uma das espécies da mata Atlântica ameaçadas de extinção e que tem papel preponderante no ecossistema, pois é alimento de muitos animais que vivem no seu entorno? A soja traz muitos benefícios para a saúde, então para que pesquisar se esta é transgênica, ou se foi cultivada a partir da destruição do território indígena, fronteira entre o cerrado e a floresta amazônica, por exemplo? Devo me importar em entender que o “foie gras” é um patê produzido a partir da alimentação forçada e cruel de patos e gansos que leva a morte precoce destes? E que a carne de vitela ou “baby beef” é oriunda de bezerros desmamados recém-nascidos, que vivem em profundo sofrimento, em reclusão sem luz solar, e confinados sem poder se movimentar e com alimentação pobre em nutrientes, deixando-os anêmicos quase à morte até o abate aos 4 meses de subsistência? Mesmo sendo vegetariano/vegano devo procurar comer vegetais e frutas sem agrotóxicos, que são venenos que destroem o solo e nossa saúde aos poucos?
Agora cabe a você decidir qual ação está disposto a tomar para criar uma correspondência entre sua ideologia (valores) e ações. As suas escolhas levarão as mudanças que sustentarão sua saúde e Mãe Natureza.
Jaqueline Louize








